O Projeto
Conservação Preventiva em Bibliotecas e Arquivos, CPBA foi
idealizado em 1994 por um grupo de pessoas preocupadas com a preservação
dos acervos documentais brasileiros. As condições climáticas
a que estão expostos nossos registros documentais reforça
a necessidade de serem elaboradas políticas continuadas, por meio
das quais seja possível evitar o acelerado processo de degradação
química, o ataque de insetos e microorganismos e a conseqüente
falência de nossos acervos de memória. A Conservação
Preventiva é sem dúvida a opção mais viável
em termos de custos e de resultados.
Como
esta prática era pouco difundida, este grupo, constituído
de representantes de 19 instituições, entre arquivos, bibliotecas,
museus e universidades, considerou que seria necessário desenvolver
um amplo processo de informação e conscientização
sobre a importância da Conservação Preventiva. Primeiramente
era preciso disponibilizar, em nosso idioma, uma literatura básica
que pudesse atender tanto a iniciantes como a docentes. Como base para
a difusão deste conhecimento foram então identificados textos
técnicos estrangeiros sobre temas prioritários, para tradução.
A
partir desta seleção o grupo cooperativo pôde contar
com o apoio técnico da organização norte-americana
Commission on Preservation and Access (atualmente incorporada ao CLIR
- Council on Library and Information Resources), para a elaboração
deste Projeto, que veio a ter o apoio financeiro da fundação
norte-americana Andrew W. Mellon e de VITAE, Apoio à Cultura, Educação
e Promoção Social. A Fundação Getulio Vargas,
como parceira, responsabilizou-se pela administração financeira
dos recursos do Projeto e o Arquivo Nacional cedeu espaço e recursos
humanos, inclusive para a coordenação. Um número
crescente de instituições aliaram-se, a partir de então,
ao Projeto.
Em
1997, o Projeto CPBA publicou uma seleção de 53
títulos sobre a conservação preventiva de livros
e documentos, de filmes, fotografias e meios magnéticos. Estes
textos tratam do planejamento e do gerenciamento de programas institucionais,
do controle das condições ambientais, da prevenção
contra riscos e do salvamento de coleções, em situações
de emergência, da armazenagem, conservação e reformatação,
envolvendo os recursos da reprodução eletrônica, da
microfilmagem e da digitalização.
A
distribuição destes textos foi gratuita, beneficiando instituições
que haviam respondido a um questionário até outubro de 1997,
tendo sido incluídas no Banco
de Dados do Projeto. Ainda em 1997, o Projeto iniciou o processo de
difusão por meio de seminários organizados nas cinco regiões
brasileiras, com a colaboração de instituições
cooperativas, formando um grupo de multiplicadores, que por sua vez organizaram
novos seminários e cursos, estimulando a prática da conservação
preventiva nas instituições. Esse desdobramento é
o mais importante resultado do projeto CPBA.
Em 1998, o Projeto CPBA recebeu o Prêmio Rodrigo Melo Franco de
Andrade. No mesmo ano, recebeu um segundo aporte financeiro de seus patrocinadores,
objetivando a consolidação das ações empreendidas.
Até junho de 2001, o Projeto CPBA já contabilizava mais
de 130 eventos realizados em todo o país, somando mais de 6.000
pessoas envolvidas.
O
Projeto agradece o generoso apoio recebido de seus patrocinadores e das
instituições cooperativas, brasileiras e estrangeiras, reconhecendo
que sem esta parceria nada teria acontecido. Deseja também agradecer
aos autores e editores das publicações disponibilizadas,
por terem cedido gratuitamente os direitos autorais.
Considerando
que a fase do Projeto apoiada pela Fundação Mellon se encerra
em junho de 2001, o grupo cooperativo espera encontrar, em continuidade,
colaboradores e parceiros no Brasil, para que o processo de difusão
do conhecimento da preservação não seja interrompido.
Rio de Janeiro, junho de 2001.
Ingrid Beck
Coordenadora do Projeto CPBA